domingo, 19 de agosto de 2012

20/08/2012 - O Pai

No nosso próximo encontro falaremos sobre a participação do pai no processo de gestação/parto/pós-parto/amamentação. Como ajudar? Como se envolver? Como se inserir nesse universo essencialmente feminino?

Venha, traga seu companheiro, sua família, seus amigos e compartilhe conosco sua experiência.

*RELEMBRANDO*:

QUANDO: 20/08/2012 - segunda-feira, de 19 às 21h.

ONDE: Academia Companhia Athletica (Rua Municipalidade, 489, próximo à ESAMAZ. Entrada pela Rui Barbosa).

OBSERVAÇÃO: A confirmação da participação agora é necessária, pois precisamos deixar os nomes dos participantes na portaria.

Confirme sua participação pelo telefone 88919205 ou pelo e-mail espacoishtarbelem@gmail.com


====

RELATOS DE PARTO
Por: Fernando Ramos

Olá Amigas e Amigos,
Sou Fernando, marido da Ana Paula, pai do cesareado Miguel e da partumanizada Lis. Sei que é tradição por aqui, que se escreva uma descrição dos partos. Aqui vai a minha, depois de quarto meses, sem tanta contaminação emocional, mas com lembrança viva.
Sei também que uma das utilidades do relato do PAI, é servir a propósitos de ilustração e educação (pra não usar a palavra conversão) de outros pais inseguros (para não usar a palavra apavorados), em relação às maravilhas libertadoras do parto humanizado. Sendo assim digo aos demais rapazes:
- Abram o coração e vejam a luz!
Messiânico demais? Então outra:
- Foi bom pra cacête!
Talvez deveras informal? Arrisco mais uma:
- Inesquecível!
Não é tarefa fácil descrever o que se vive num momento desses. Tenho dito que é aquilo que se sente frente à presença do mistério. Chamo mistério àquelas ocorrências conhecidas e corriqueiras da vida como nascimento e morte, ou ainda um céu de inverno
na Chapada. Sabem aquela impressão de sonho acordado que se tem ao ver uma pessoa próxima morta? Já viveram isso? Não falo da dor, nem da tristeza, mas da sensação de irrealidade real, de suspensão das certezas e noção de prioridades frente algo que não se consegue explicar.
Vivi isso no parto do Miguel também, há quatro anos atrás. Nascimento é chegada de um filho, e não dá pra ficar inerte frente a isso. Mas o nascimento da Lis me deu a noção que o pai pode e deve ocupar um lugar no processo, que não seja o de roedor de unhas e torcedor passivo numa sala de espera. Isso para o bem da mãe, da criança e do pai também.
Nosso parto foi em casa, com doula, parteira, com torcida, sem anestesia e durou 32 horas. Durante esse tempo, digo que vivemos momentos que alternaram entre a mais leve descontração, aos mais agrestes desertos de medo e insegurança. Coisas do processo. Inerentes `a ocasião.
Foi importante nossa certeza de que o parto domiciliar era o melhor para nós, e que as pessoas que estavam ali sabiam o que estavam fazendo. Foi importante termos podido experenciar o que se apresentou para experenciarmos, um ambiente de conforto e a ligação com gente com clareza de que a dor não é algo
insuperável, e que vitória não existe sem esforço.
Ainda aos rapazes:
Tenham no mínimo boa vontade de entender do que se trata essa milonga de "parto humanizado" ou "parto domiciliar". Parece no começo coisa de porralôca de chinelinho de couro, mas eu digo que é pura presença do mistério.
Fernando

Nenhum comentário: